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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

FIBROMIALGIA - CONCEITOS FISIOPATOLÓGICO E CLÍNICO

Conceito:
Fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dor crônica e difusa associada à presença de pontos dolorosos específicos. 

Epidemiologia:
0,7 a 5,0% da população geral é acometida por esta síndrome. No Brasil, é estimado que 2,5% da população seja acometida. Embora a prevalência seja de 8 indivíduos do sexo feminino para 1 do sexo masculino, estes dados são  baseados em critérios diagnósticos do Colégio Americano de Reumatologia (ACR). Se forem consideradas apenas como critério diagnóstico, dores crônicas e difusas, provavelmente este número estimado seja menor. Em linhas gerais, a idade média de início de sintomatologia é de 49 anos, mas a faixa etária é entre 25 a 65 anos. 

Fisiopatologia:
Em princípio, em última análise, há uma deficiência na 'interpretação' da dor pelo SNC. A síndrome se caracteriza por aumento da aferência nociceptiva central, o que é, em outras palavras, aumento da sensibilização central dos estímulos. Como consequência, há modificações na aquisição, percepção e interpretação da dor. O resultado clínico é aumento dos estímulos nociceptivos que resultam em aumento da sensibilidade dolorosa e, mais intensamente, desprazerosa ou, hiperalgesia. Além disso, há sensação de alodínea, que é a sensação de dor, por estímulos que dantes não eram dolorosos. Ocorre nesta mesma faixa nociceptiva um fenômeno de 'neuroplasticidade' central, onde as conexões entre fibras nervosas ampliando e amplificando as regiões e sensações de dor. 
Para entender sobre as limitações de dor, veja mais informações em (http://fisiologia-patologia.blogspot.com.br/2010/06/dor-aspectos-fisiopatologicos.html).

Clínica:
A principal queixa é dor crônica. As regiões axiais e periféricas do corpo são envolvidas e geralmente pode ter início localizado na região cervical. Além disso, a dor pode estar associada a uma sensação subjetiva de edema e parestesias. A fadiga mental  e física é relatada por 76% dos pacientes. Além disso, outros órgãos são afetados. Por exemplo, pode haver manifestação de afecção da síndrome do cólon irritável, síndrome uretral inespecífica, com disúria, polaciúria e cistite, síndrome miofascial, cefaléias, quadros miofasciais cervicobraquiais. A terapêutica é variada e é não medicamentosa e medicamentosa. 


Referências

JOSE, FF et al. Fibromialgia, in: LOPES e cols. Guias de medicina ambulatorial e hospitalar - Clínica Médica, Manole, 887-894, 2007.

WOLFE, F. et al. The American College of Rheumatology 1990 - criteria for the classification of fibromyalgia, Arthtitis and Rheumatism, 33:160 - 172, 1990.



Dr. Dermeval Reis Junior - Biomédico Fisiopatologista

e-mail: drj.fcr.epm@hotmail.com

Skype: dermevalreisjunior

  

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

DOR - UMA BREVE EXPOSIÇÃO FISIOPATOLÓGICA

É um tipo de sensibilidade estudada pela fisiologia sensorial, portanto é uma sensação originada por um ou vários estímulos. Houve controvérsias a respeito da dor: Epícuro (342-270 a.C.) dizia que não havia envolvimento do SNC; Descartes (1644) propôs uma teoria de que lesões provocavam estímulos e estes por sua vez eram enviados para o cérebro a partir da medula espinhal; Muller (1842) afirmou que o cérebro somente recebia a sensação dolorosa vinda dos nervos; Edinger (1889) foi o primeiro a relatar a via espinoalâmica da dor; Enfim,  Sherrington descreveu a dor como coadjuvante fisiológico de um reflexo protetor fundamental. Todavia, a dor é uma sensação diferenciada que denuncia a alteração de algo no sistema onde foi ocasionada ou próximo deste sistema. É uma sensação extremamente complexa e possui redes de neurônios que formam as vias sensoriais da dor ou vias nociceptoras. Estas vias são capazes de reorganizarem-se em estados de dor prolongada acompanhada de lesão tissular. Em fisiologia médica a dor pode ser classificada em 3 estados: dor fisiológica ou aguda; dor patológica: inflamatória e neuropática. Os órgãos sensoriais para a dor são terminações nervosas livres encontradas em quase todos os tecidos do corpo. Os impulsos dolorosos são transmitidos até o SNC por dois sistemas de fibras nervosas: fibras Aδ mielinizadas com 12 a 20 m/s de velocidade de condução do impulso doloroso e fibras C não mielinizadas com 0,5 a 2 m/s de velocidade de condução. Algumas das fibras ascendentes projetam-se para núcleos posteriores ventrais que são os núcleos de retransmissão sensorial específicos do tálamo. Depois dirigem-se para o córtex cerebral. Análises feiras com PET e RM mostraram que a dor pode ativar três áreas corticais: SI, SII e o giro do cíngulo oposto ao lado de origem da dor. Experimentalmente, em animais e depois verificado em humanos, descreveu-se que lesões no córtex insular provocam analgesia, muito semelhante aos efeitos provocados por aumento do GABA nestas mesmas regiões. Recentemente houve a descoberta de uma proteína receptora1 vanilóide (VR1). Esta proteína faz a mediação das vanilinas, um grupo de compostos que provocam dor. A capsaicina é uma tipo de vanilina. Na verdade, independente da proteína, quando um neurônio do tipo Aδ ou do tipo C são estimulados, sua função é “gerar dor”. Como causas da dor, pode-se descrever entre as dores agudas: cirurgia, fratura, lesão ligamentar, bursite, tendinite, distensão ou ruptura muscular, hérnia de disco, lesão articular, acidente automobiliístico, ferimento por arma de fogo, trauma medular, craniano, torácico e abdominal, pulpite, periodontite, otite, amigdalite, sinusite, faringite, laringite, queimadura, infarto agudo do miocárdio, esofagite, pelurite, colecistite, gastrite, pancreatite, cólica nefrética, infecção urinária, doença inflamatória pélvica e abscesso. Além da dor aguda, pode ocorrer dor crônica e entre esta classe estão as síndromes dolorosas. Lombalgia e lombociatalgia são causas comuns elimitantes do trabalho e estão diretamente relacionadas com hérnia discal, estenose espinhal, síndrome miofascial, doença reumatológica, e tumor. Entre as dores lombálgicas os principais achados são radiculopatias cervicais. Dentre as lombalgias e lombociatalgias a região cervical é uma região muito propensa às lesões e geram muita dor. Veja em cada seguimento cervical, tipos e estruturas que são comprometidas e geram dor. Regiões: C1 está relacionada a dor nas regiões posterior do couro cabeludo e retro-orbitária e frontal; alteração dos músculos para a flexão, rotação de cabeça e extensão; C2 relaciona-se com mandíbula, orelha, flexão muscular, extensão e rotação da cabeça e para a rotação da escápula; C3 está relacionada com a dor e alteração sensorial no pescoço e no processo mastóide; C4 além da região do pescoço, a região ântero torácica e músculo elevador da escápula; C5 com dor no pescoço, ombro e bordas medial da escápula lateral do braço e dorsal do antebraço; C6 do pescoço e ombro, o músculo deltóide pode ter comprometimento de sua força; C7 dorso do antebraço, atonia do tríceps e C8 atonia dos músculos intrínsecos da mão, além de braço, antebraço e pescoço. A dor inflamatória, como apresentada anteriormente, possui como mediadores várias substâncias que atuam diminuindo o limiar de dor, como por exemplo as prostaglandinas, bradicinina, entre outras. Geralmente a terapêutica utilizada atua de forma inibitória direta ou indiretamente nestas substâncias alvo. Quanto maior a concentração do mediador, menor é o limiar e maior será a dor. Essa farmacoterapia atua, aumentando o limiar da dor, contudo, reduzindo-a ou eliminando-a e também por agir na supressão da síntese dos mediadores bioquímicos que "conduzem a dor".